Tuesday, February 26, 2008
Natureza Selvagem
Instino Selvagem
Alguns filmes conseguem atingir tal nível de qualidade e originalidade que se tornam porta-voz do gênero que pertencem. Foi assim com "O Poderoso Chefão", "Cantando na Chuva" e "Star Wars" que com suas inovações são considerados obras fundamentais e referências aos filmes de máfia, musical e ficção cientifica respectivamente. Os road-movies mudaram quando "Born To Be Wild" tocou na abertura de "Sem Destino" de Dennis Hopper. A música e o filme captaram o que é de essencial nessas aventuras na estrada; a viagem física e espiritual. De certo modo todos os outros filmes do gênero seguiram essa premissa, dando as suas respectivas diferenças. "Natureza Selvagem" não foge dessas regras ao contar a história de Chris e sua viagem para o Alaska. Cansado da falsa fachada da sociedade, principalmente das figuras de seus pais, o jovem decide partir em uma aventura de auto-conhecimento tendo o Alaska a sua grande Baleia Branca. Assim como na obra de Herman Melville , o Alaska representa muito mais que o fato de chegar a um lugar isolado. Chegar ao Alaska é matar a Baleia Branca, é vencer a natureza. Logo no começo de sua viagem seu carro é atingido por uma inundação e fica quase submerso. É como se a natureza comunicasse a Chris que para sua experiência ser completa e rica, ele precisa se entregar completamente "nu" à sua vontade. Despido de tudo que tinha como material (exceto roupa) ele começa do zero e parte para o desconhecido.
Em seu caminho cruza com verdadeiros filósofos do nada, ou do tudo se olharmos por outro ângulo. Os personagens secundários são mostrados como forças motrizes e não apenas peões para a história do jovem, principalmente na personagem de Hal Holbrook. A curiosa colisão de um idoso conformado e um jovem inquieto é responsável pelos melhores diálogos e cenas do filme.
A trilha sonora composta com excelência se afasta um pouco do rock pesado de Steppenwolf e investe no melancólico e bucólico, mesmo sendo composta por Eddie Vedder um dos maiores nomes do rock grunge. As letras são poesias ritmadas sobre liberdade, descoberta, solidão e felicidade que emocionam com sua melodia suave e a voz rouca de Vedder.
Grande parte do trunfo do filme é não apelar para demagogias e respostas pseudo-intelectuais e hippies. Em nenhum momento o roteiro personifica Chris como gênio ou um ser dotado de iluminação. A sua aventura é particular, ele faz o que faz porque algo dentro dele urge por mais que a cidade pode oferecer. Suas ações são regidas por seu código de conduta e leis próprias, sendo tão egoístas e falhas como as das pessoas da cidade, como fica exposto na emocionante cena em que Chris mata um alce selvagem.
Em seu caminho cruza com verdadeiros filósofos do nada, ou do tudo se olharmos por outro ângulo. Os personagens secundários são mostrados como forças motrizes e não apenas peões para a história do jovem, principalmente na personagem de Hal Holbrook. A curiosa colisão de um idoso conformado e um jovem inquieto é responsável pelos melhores diálogos e cenas do filme.
A trilha sonora composta com excelência se afasta um pouco do rock pesado de Steppenwolf e investe no melancólico e bucólico, mesmo sendo composta por Eddie Vedder um dos maiores nomes do rock grunge. As letras são poesias ritmadas sobre liberdade, descoberta, solidão e felicidade que emocionam com sua melodia suave e a voz rouca de Vedder.
Grande parte do trunfo do filme é não apelar para demagogias e respostas pseudo-intelectuais e hippies. Em nenhum momento o roteiro personifica Chris como gênio ou um ser dotado de iluminação. A sua aventura é particular, ele faz o que faz porque algo dentro dele urge por mais que a cidade pode oferecer. Suas ações são regidas por seu código de conduta e leis próprias, sendo tão egoístas e falhas como as das pessoas da cidade, como fica exposto na emocionante cena em que Chris mata um alce selvagem.
Momento para a eternidade: A cena em que Hal Holbrook se despede de Chris.
