Sunday, March 02, 2008

 

Jogos do Poder


Notícias de uma guerra particular

"O que nos temos aqui é uma falha de comunicação". Essa fala foi eternizada em Rebeldia Indomável e serve como explicação para a falta de interesse da maioria dos jovens por política. A habilidade de se comunicar é a ferramenta fundamental da globalização, afinal o maior símbolo dessa geração começa com singelos www. Quem acompanha a grade televisiva americana pode perceber que alguns programas conseguem abordar esses temas de forma original e criativa sem perder o senso crítico. The Daily Show with Jon Stewart e The Colbert Report são talk shows diários que abordam a política de um jeito engraçado e acessível a todos. Além de rir e se distrair não há como o público não aprender uma ou duas coisas sobre os problemas que envolvem a Casa Branca e seus componentes. Esse talvez seja um dos maiores méritos de Jogos do Poder, que consegue ser complicado suficiente ao explorar as várias facetas e jargões da politicagem, mas não o bastante para que o público desista ou se canse de assisti-lo.
De um humor refinado e texto inteligente, o filme conta a história de Charlie Wilson (Tom Hanks), congressista americano que passa boa parte de sua vida cercado por mulheres e uísque. A primeira cena do filme mostra o personagem recebendo a primeira medalha de honra ao mérito dada a um civil, em uma cena dirigida, editada e orquestrada de forma patriótica e emocionante [a lá Michael Bay]. Corte, e então Charlie está pelado em uma jacuzzi na presença de strippers e drogas enquanto ouve Barry White. É uma piada sutil que mostra que o filme não vai abordar nada de forma piegas e ordinária.
Forçado a ir a uma reunião com o presidente do Afeganistão Charlie se vê sugado no caos que o país se encontra. Junto com Gust Avrakotos, interpretado de forma magistral por Phillip Seymour Hoffman, ele pretende ajudar os afegãos a derrubar os helicópteros russos que mutilam a população. Isso ocorre em plena Guerra Fria então tudo tem que ser feito por debaixo dos panos na forma de "convert missions". O filme acaba por explicar o porquê da atual relação conturbada entre Afeganistão e o EUA, que foram aliados na primeira derrota militar da Rússia comunista na guerra que treinou e armou ninguém menos que Osama Bin Laden.


Curiosidade: Aaron Sorkin foi o criador de séries como "The West Wing" e "Studio 60 on the Sunset Street". "The West Wing" ficou sete anos no ar, um feito maravilhoso se considerarmos o fato de que se trata de uma série política, enquanto ninguém consegue entender como "Studio 60", que conta os bastidores de programas como Saturday Night Live, não passou de seu primeiro ano.

Momento para a eternidade: Gust e Charlie conversam sobre o futuro do Afeganistão. Gust alerta que se eles abandonarem os aliados agora em breve os amigos virarão inimigos.

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