Friday, March 07, 2008

 

$O$ Saúde


Paris, Texas

Michael Moore é um cineasta que deve, sem dúvida, ser ouvido. No entanto, mais do que apenas ouvido, ele deve ser discutido e analisado pois, assim como expõe, fatos ele acaba por impor concepções; concepções estas que estão suscetíveis a incoerências e unilateralidade. Em $O$ Saúde, o documentarista de maior sucesso comercial analisa e disseca o sistema de seguro saúde norte americano, comparando-o com os sistemas de outros países como França, Grã-Bretanha e Cuba.
O começo do filme reúne algumas pessoas que apesar de estarem "asseguradas" sofrem com contas, filas e procedimentos urgentes negados. Os HMOs, como são nomeados os planos de saúde americanos, desdobram as regras e leis ao máximo para criar um sistema em que as pessoas aceitas sejam monetariamente viáveis. Ou seja, em resumo, se você parece ou dá o menor indício de que pode ficar doente, você não é aceito. Os absurdos e explicações são inacreditáveis, como o exemplo da jovem de 22 anos, que uma vez diagnosticada com câncer cervical, teve o tratamento negado pelo seguro, pois aparentemente era muito nova para apresentar tal doença.
Os abusos são incontáveis, mas o maior talvez seja o do lobby que está por trás dos planos de saúde. Em uma gravação Moore revela uma conversa que envolvia o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. Em detalhes lhe é posto uma proposta de um serviço nacional de saúde em que a meta final é nada mais nada menos que lucrar com os doentes. O impacto dessas palavras frias e desumanas torna-se mais assustador quando nos é mostrado a velocidade em que essa idéia passa do papel para a realidade.
Moore sempre levanta tópicos interessantes e fatos que são desconhecidos à população, isso sempre com uma linguagem moderna e quase sempre com humor; provavelmente o segredo de seu sucesso comercial, enquanto outros documentaristas abordam seus tópicos num caminho mais formal e conservador e por isso menos popular. É preciso ressalvar que Moore é unilateral e sensacionalista, e nem sempre mostra as duas faces da moeda, apenas àquela que lhe beneficia. Ao mostrar os sistemas de saúde de outros países, ele cria uma imagem que provavelmente não corresponde coma a verdadeira. Obviamente que se trata de um serviço de maior qualidade, mas não significa que são "o mar de rosas" descritos no documentário. Termino repetindo o que disse no início do artigo: as obras de Michael Moore são obrigatórias e de extrema relevância social, mas assim como ele disseca o sistema, nós devemos fazer o mesmo com seus filmes.

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